Lula: do que ele é acusado?

A justiça brasileira decidiu rejeitar o habeas corpus apresentado pela defesa do ex-presidente Lula da Silva em um voto muito apertado de 5 contra 6 membros.

Isto significa que o tribunal determinou que Lula deve começar a cumprir com a convicção de que os tribunais inferiores concedeu-lhe, mas não significa que o tribunal foi emitida no próprio caso, isto é, sua inocência ou culpa ainda não está definida. A defesa de Lula afirmou que o exmandatario deveria permanecer livre até que todas as instâncias judiciais que pudessem determinar a inocência dos mesmos fossem esgotadas.

Em meio à turbulência da mídia, tentamos reconstruir as diferentes versões. Grande parte da cronologia e das conclusões aqui descritas foram extraídas de informações publicadas pelo jornal argentino anti-Kirchner La Nación.

Ele é acusado de ter recebido como suborno um departamento que nunca recebeu, que estava comprando, mas do qual desistiu depois que a empresa OAS comprou a obra em execução daquele prédio.

Breve revisão dos fatos:

  • Em 2005, o departamento de discórdia, localizado no Guarujá, estava sendo construído pela cooperativa do Bancoop. A mulher de Lula na época decidiu começar a pagar taxas para comprar o mesmo “do poço”.

 

  • Em 2008, a construtora OAS compra o projeto do Bancoop e continua a construção. Diante disso, podendo recuperar as parcelas já pagas, ou terminar pagando as mesmas para finalmente adquirir a propriedade, a mulher de Lula decide deixar em suspenso a compra.

 

  • Em janeiro de 2014, Lula visitou o departamento pela única vez e depois desistiu de comprá-lo. Aqui surgem diferenças nas versões, a construtora alega que o departamento deveria ser entregue ao ex-presidente como um suposto suborno em troca de garantir contratos com a Petrobras. A situação parece estranha, porque nem sequer foram eles quem iniciaram o trabalho, quando Lula e sua esposa se interessaram pelo departamento, a construtora também diz que Lula foi responsável por eliminar a evidência desses eventos.

 

  • Em 2015, a esposa de Lula abandona oficialmente a compra por meio de uma nota, e solicita a recuperação dos honorários pagos antes da mudança da construtora. O departamento nunca esteve em seu nome, nem nunca foi habitado.

 

  • Em 2016, a polícia revistou a casa de Lula e levou-o à força para testemunhar, acusado de fraude, falsificação ideológica, organização criminosa e lavagem de dinheiro para a “compra” deste departamento.

 

  • Em 2017 o juiz Moro, que lidera a causa de Lava Jato, acusou Lula de ter subornos recebidos por alegadas alterações no departamento, que não possuíam.

 

  • Em julho do mesmo ano, o juiz condenou-o a 9 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, tendo como único caso a acusação descrita acima da empresa OAS. Lula apela a sentença.

 

  • Em janeiro de 2018, um tribunal superior confirmou a sentença de Moro e aumentou a sentença para 12 anos. Confrontado com a possibilidade de que ir para a cadeia, e ser inelegível para concorrer às eleições presidenciais deste ano (que lidera as pesquisas) a defesa tem um apelo habeas corpus pelo qual eles tentaram Lula estava livre até que o caso é determinar nos tribunais superiores.

 

  • Em meio à tensão, horas que o tribunal brasileiro para definir, e mesmo sabendo que seria uma votação apertada, o chefe do exército, Eduardo Villas Boas disse no Twitter que seus “juízes força compartilham o desejo de todos os cidadãos de bom repúdio à impunidade e respeito à Constituição, paz social e democracia, bem como atenção às suas missões institucionais “.

 

  • Em 4 de abril, o tribunal brasileiro rejeitou o pedido de habeas corpus 6 a 5. O que, em última instância, implica que Lula seja detido e comece a cumprir sua pena enquanto tenta provar sua inocência em instâncias superiores. Um fato de alto impacto, devido à fragilidade das acusações contra o exmandatario, e quem é quem lidera as pesquisas.

As instituições do Brasil sofreram um duro golpe que lhes custou a recuperação, e marcam um obscuro precedente em toda a região, em que o cerco judicial por supostas causas de corrupção que não podem ser provadas, são suficientes para deter os políticos do escopo de Lula.

 

versão original em espanhol